Deborah Breen Whiting / Pixabay

A alimentação do bebé é um assunto de suma-importância para os pais. De acordo com os especialistas, até aos 6 meses a alimentação do bebé deverá ser composta única e exclusivamente de leite materno. No caso do regresso da mãe ao trabalho, nem sempre é fácil cumprir estes timings, pelo que a transição poderá ser antecipada para os 4/5 meses. Apenas depois dessa altura devem ser introduzidos novos alimentos, os quais, sempre que possível, devem ser acompanhados de leite materno até aos 2 anos. Esta fase inicial deve dar início ao hábito da criança comer, pelo que a preocupação não será tanto com os nutrientes, pois os mesmos são fornecidos pelo leite materno, no caso de se manter a amamentação. No caso de esta já ter terminado, é essencial dar uma maior atenção aos nutrientes, de modo a fornecer uma alimentação mais completa, sendo que o aleitamento deverá então ser realizado com recurso a leite adaptado receitado pelo médico. A introdução dos novos alimentos deverá ser efectuada de uma forma gradual, numa ou duas refeições diárias, num intervalo de duas horas e meia após a amamentação. É importante não esquecer que neste assunto deve existir da parte dos pais alguma flexibilidade, porque todas as crianças são diferentes e verdades absolutas aqui não têm lugar. Acima de tudo é aconselhável bom senso.

A importância da diversificação

Mas por que é importante a diversificação da alimentação em tão tenra idade? A resposta é simples: porque a partir dessa altura as necessidades nutricionais das crianças, no que diz respeito a calorias, ferro e proteínas, não são satisfeitas unicamente pelo consumo de leite. Assim, completados os 4 meses, podem ser dados ao bebé outros alimentos além do leite, a não ser que seja leite materno, aí pode, e deve, continuar só com a amamentação até aos 6 meses. Não se apresse a tentar introduzir todos os alimentos, pois a diversificação deverá ser feita de uma forma gradual e sem pressa. O importante é que o bebé se adapte o mais tranquilamente possível às texturas e aos sabores, o que, por outro lado, vem também dar tempo para se perceber se existe alguma eventual intolerância ou alergia.

Nunca se deve dar alimentos sólidos no biberão, mas fazê-lo sempre com recurso a uma colher. Os pais devem ter em atenção que até aos 4/5 meses o bebé tem o reflexo de extrusão, o qual leva, por defesa, à rejeição de todo e qualquer alimento que lhe seja colocado na língua. Não interprete este acto como sendo de rejeição, uma vez que apenas significa que a criança ainda não adquiriu a maturação necessária, pelo que precisa de tempo para uma adaptação à colher.

A pensar no futuro da criança

Nos momentos em que possa sentir uma maior dificuldade em levar a adaptação a bom porto, lembre-se que uma alimentação o mais correcta possível pode, de facto, ajudar a prevenir o aparecimento de determinadas doenças na idade adulta. É, pois, decisivo que a educação alimentar tenha lugar desde a fase mais precoce da vida do ser humano.

Se a criança não quer comer, logo os pais se preocupam, mas não haverá motivo para isso se essa recusa não for recorrente. Lembre-se que as crianças têm oscilações de apetite, tal como nós, adultos. Petiscar entre refeições? Não é boa ideia. Assim como não é deixar a criança sozinha enquanto come, por muito inofensiva que lhe pareça a comida, como uma bolacha ou um pouco de pão.

A sopa deve ser servida em puré, enriquecida com uma colher de chá de azeite cru e confeccionada com recurso a quatro legumes. A escolha deve recair entre a batata, a couve-flor, a curgete, a cebola, o alho francês, a cenoura ou a abóbora, a alface, os brócolos ou a couve coração. O feijão, a ervilha, o grão, a lentilha e a fava só devem fazer parte da alimentação da criança depois dos 9/10, em pequena quantidade e sempre sem casca. Devido ao risco de contaminação com nitratos, alimentos como espinafres, nabiça, nabo, aipo e beterraba devem ser adicionados à alimentação dos bebés muito mais tarde.

No que diz respeito à papa, não deve o bebé comer mais do que uma diariamente. Não devendo nunca conter glúten até aos 6 meses da criança, as papas podem ser não lácteas, preparadas com o leite que habitualmente o bebé consome, ou lácteas, as quais são preparadas com água, uma vez que já contêm leite.

É essencial que a fruta, que deve ser dada após a refeição de sopa, seja fresca e madura, servida de preferência, crua e ralada. Comece pela maçã, pêra ou banana.

Depois dos 6 meses

Após os 6 meses há novos alimentos que devem ir sendo introduzidos na alimentação do bebé. Desde logo a carne e, um mês depois, o peixe. Relativamente à carne, inicie com carne branca, galinha, peru ou coelho, passando depois para a vermelha, com o borrego e vaca. Depois dos 7 meses, o peixe deve ser introduzido de forma alternada com a carne. A escolha deverá recair sobre peixe magro, como a pescada e o linguado, sendo que o salmão só deverá passar a fazer parte da alimentação da criança depois dos 10 meses. Outro alimento que pode ser consumido pela criança depois dos 6 meses é o iogurte, que deverá ser natural, de leite adaptado. Relativamente ao ovo deverá ter o cuidado de introduzir apenas a gema cozida depois dos 9 meses, e nunca em conjunto com o peixe ou a carne, mas em vez destes. O ovo inteiro só deverá constar do cardápio da alimentação da criança depois dos 12 meses.

Texto da autoria de Sandra M. Pinto publicado na edição impressa da Kids Marketeer nº9