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O isolamento social que esta pandemia trouxe consigo traduz-se num exame minucioso à qualidade da relação do casal. O desfecho parece óbvio, ou reforçam a relação, estando mais unidos do que nunca, ou a relação acaba e cada um deles vai ser feliz sozinho.

Se antes, conviviam com outras pessoas e o tempo que passavam juntos se reduzia a uns pares de horas, agora não têm outra hipótese, os dois fechados em casa, em regra com crianças 24 sobre 24 horas, enfrentam assim, uma proximidade verdadeiramente forçada.

Um verdadeiro desafio…

Com o passar do tempo, com o desgaste decorrente da situação e o nível de stress associado podem começar as primeiras discussões. Às vezes nem se percebe os verdadeiros motivos, são discussões sem sentido e sem razão aparente. Discussões que vão aumentando de escalada, intensidade e frequência, tornando a sobrevivência no mesmo espaço, um verdadeiro inferno.

Mas das discussões ao divórcio ainda vai um longo caminho.

O isolamento social não será a causa do divórcio mas sim um precipitador do mesmo, ou seja irá apenas afetar aqueles casais cujas relações já estavam fragilizadas e onde não reinava a empatia, a capacidade de se colocar no lugar do outro e reconhecer as suas necessidades. O stress do contacto constante irá tendencialmente agravar as fragilidades existentes, mas importa referir que o isolamento não é o “bicho-papão” que irá destruir a relação. Se não fosse o isolamento seria outra coisa qualquer.

Os problemas agora serão mais visíveis porque o contacto é maior, mas também porque existe um fator de stress externo elevado, que acarreta um conjunto de desafios pois de repente em simultâneo têm de desempenhar vários papéis e fazer várias tarefas como, trabalhar, refeições, gerir as crianças, os pais e sogros, desempenhar o papel de professores, ir às compras, etc.

Paralelamente cada um dos elementos do casal está focado em gerir os seus medos e ansiedades face à pandemia pelo que a disponibilidade para o outro, para o ouvir e compreender é reduzida.

O segredo será aproveitar o momento para reforçar a identidade do casal.

Deixo uma pequena lista de compras para se abastecerem numa próxima ida às compras no “seu supermercado interior”

20 Kg de paciência- Paciência para com o outro, para os seus medos e fragilidades. Paciência pressupõe tolerância, um “ingrediente” importante para sobreviver a esta pandemia.

15 Kg de comunicação- Comunicarem o que estão a sentir face à situação atual que estão a viver. O que os preocupa, o que os irrita e aquilo que os deixa feliz. É fundamental expressarem o que estão a sentir e desenvolver a capacidade de escuta e de aceitação da opinião do outro.

25 kg de empatia- Empatia para se colocar no lugar do outro, escutá-lo, perceber as suas ideias e pontos de vista. A empatia promove o respeito pelo outro e liga-nos do ponto de vista emocional.

20 kg flexibilidade-Flexibilidade para encontrar estratégias para se adaptar à nova realidade. Flexibilidade para se ajustar às mudanças diárias e às necessidades, opiniões e ideias do outro elemento do casal.

17 kg de criatividade- Criatividade para encontrar estratégias para conseguir conciliar as múltiplas tarefas e papéis que têm de desempenhar. Abasteçam-se dela pois vai ser importante para reservarem algum tempo para estarem enquanto casal, a dois, sem crianças.

Para terminar abasteçam-se muito de amor, o amor traz consigo o carinho e os sorrisos, e nesta altura amor fará a diferença. Encararão com otimismo e esperança o futuro.

P.S- Vão às compras rápido!

Por Vera Melo, Psicóloga Clínica