Brincar é crescer. É através das brincadeiras que as crianças experienciam emoções, criam vínculos afectivos, é estimulado o seu desenvolvimento cognitivo, no fundo, é a brincar que experimentam a vida. Por estas razões, é importante que a criança tenha um espaço, especialmente, criado para a brincadeira, no qual esteja segura, se sinta estimulada a brincar e que seja adaptável às várias fases de crescimento.

Comecemos pelo tópico segurança com as regras básicas: fichas eléctricas protegidas, móveis e objectos pesados devidamente presos para não representarem perigo, brinquedos adequados à faixa etária da criança, sem peças pequenas desmontáveis que possam ser causadoras de acidentes e um pavimento à prova de trambolhões (forrado com um tapete que amorteça a queda e seja lavável).

Mas o espaço deve também ser apelativo e estimulante para a criança. Crie um espaço versátil que possa ser adaptado, à medida que a criança cresça e vá mudando de gostos e preferências. Por exemplo, o que começa por ser um espaço com blocos de construção, pode transformar-se num atelier de pintura e aguarelas para, mais tarde, ser um laboratório de experiências ou uma cozinha profissional de brincar.

Claro que os brinquedos também têm de acompanhar a criança nas diferentes fases de crescimento. Não só por questões de segurança, mas também para estimularem o desenvolvimento cognitivo e o desejo pela descoberta. Numa primeira fase, os brinquedos sonoros e com texturas vão estimular a percepção auditiva e o tacto. Os blocos de encaixe são também uma opção excelente para incentivar o desenvolvimento da coordenação óculo-manual. Mais tarde, os tradicionais bonecos, carrinhos e tachos vão permitir à criança imitar o comportamento dos pais e experimentar o quotidiano.

Tendo em conta que este será um espaço que será alterado de forma frequente, opte por móveis e peças acessíveis e práticas. Como exemplo específico, uma estante que numa primeira fase pode ter caixas para guardar brinquedos e posteriormente, transformar-se num local para guardar livros, construções de lego e até alguns bonecos, em jeito de exposição. E que tal pintar a parede com tinta ardósia? Assim, a criança pode fazer desenhos por toda a parede, sempre que quiser!

É igualmente importante que pais, cuidadores e família brinquem com as crianças. São já vários os estudos que mostram evidências de que tal é benéfico para ambas as partes. Não só estimula o desenvolvimento das crianças, como reduz os níveis de ansiedade dos adultos, além de trazer felicidade a todos. E para as diferentes faixas etárias há brincadeiras, bem conhecidas de todos nós, que vão fazer as delícias de toda a família e ajudar a criança na sua relação com o mundo. Com os mais pequenos, pode brincar às escondidas, para que estes percebam e assimilem que os pais podem ausentar-se temporariamente. Plasticina e argila, além de estimularem a criatividade, vão também desenvolver a coordenação motora da criança.

Sessões de leitura e teatro de marionetas estimulam o desenvolvimento da linguagem, os puzzles ensinam à criança a dinâmica de tentativa, erro, tentativa sucesso, e até os jogos de tabuleiro são didácticos, no sentido em que permitem desenvolver o raciocínio lógico com a criação e percepção das regras, enquanto a mecânica ganhar-perder permite trabalhar com a criança a frustração de perder e o saber ganhar.

De resto, este espaço especial tanto pode ser criado no quarto da criança, como numa área da sala, desde que cumpra as regras de segurança, seja convidativo e apelativo à criança e prometa muitas horas de diversão para os mais pequenos e também para os mais crescidos!

Por Mónica Marques