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Aprender a língua materna é uma competência que se adquire de forma natural e por meio da exposição e observação de outros falantes dessa língua. Para compreender melhor o desenvolvimento da linguagem, há que salientar que comunicação, linguagem e fala são conceitos diferentes, apesar de estarem todos ligados.

Assim, comunicação define-se por ser um processo de troca de informações que ocorre entre duas ou mais pessoas para influenciar o comportamento dos ouvintes. A linguagem, por sua vez, assenta na capacidade de utilizar e compreender os conceitos para comunicar. Por fim, a fala é o acto de articulação de sons que transmite linguagem, composta por palavras e frases. Ainda que todo este jargão transmita a complexidade do processo, relembramos que é algo adquirido naturalmente pelas crianças.

Comunicação sem intenção

O desenvolvimento da fala e da linguagem está dependente do que a criança consegue ouvir, compreender e recordar, assim como das competências oromotoras, da socialização e interacção com as pessoas. Em primeiro lugar, a criança começa a comunicar, de seguida desenvolve a linguagem até que, por fim, usa a fala para se exprimir. A contribuição activa dos adultos, especialmente dos pais, é fundamental. A criança precisa, numa primeira fase, que conversem com ela e, posteriormente, de oportunidades para falar.

Já aqui o dissemos, a criança comunica desde o nascimento, no entanto essa comunicação não é intencional, transmite uma mensagem, mas não há qualquer intenção envolvida; um bom exemplo que todos os pais conhecem é o facto de o bebé chorar quando tem fome ou sono. À medida que vai passando pelas várias fases de desenvolvimento, a criança começa a mostrar intenção, através de expressões faciais, gestos e da sua postura corporal. É desta forma que a base para o desenvolvimento da linguagem é construída.

Primeiros sons

A criança começa por compreender o que lhe dizem e, mais tarde, comunica falando. É crucial que os pais incentivem a comunicação da criança para que esta se sinta motivada e ouvida. O diálogo é fundamental, assim como dar oportunidades à criança para falar. Por volta dos dois e quatro meses, a criança começa a emitir sons guturais, sendo que entre os sete e nove meses vêm as primeiras sílabas: “mama”, “papa”.

Reconhecerem o seu nome acontece entre os 10 e 15 meses, enquanto a utilização de um vocabulário de cerca de 50 palavras e compreensão de mais de 200 ocorre aos 18 meses. Por sua vez, a combinação de palavras surge entre os 18 e 24 meses, sendo que aos três anos a criança é capaz de frases simples e de descrever actividades.

Ritmos diferentes

É por volta de um ano que as aptidões de comunicação são mais evidentes e é quando a linguagem começa a ser utilizada pela criança para que as suas necessidades sejam satisfeitas. No entanto, se com um ano a criança não aponta, acena ou faz gestos, ou aos 18 meses não compreende ordens simples, deve consultar um especialista. Mas lembre-se: cada criança tem o seu próprio ritmo e com os estímulos adequados e muita afectividade, a criança irá adquirir todas as competências de comunicação, linguagem e fala necessárias para se exprimir.

Dicas para falar melhor

  • Não utilize a “fala do bebé”. Evite expressões como popó, use apenas a linguagem correcta.
  • Opte por frases curtas com construção correcta.
  • Recorra a palavras simples, tendo em atenção a sua faixa etária e respectivo desenvolvimento linguístico.
  • Quando obtiver uma resposta, elogie a criança e reforce a comunicação com uma concordância – responda claro!
  • Se a criança disser mal uma palavra, repita-a de forma correcta, mas não a obrigue a dizer novamente a palavra.
  • Se a criança não perceber uma palavra, explique-a por gestos.
  • Se não perceber o que a criança está a dizer, seja sincero e diga-lhe para que esta tente reformular a mensagem.