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Amamos de tal forma as crianças, que as tentamos proteger de tudo. Menosprezamos as suas capacidades e acreditando que estamos a fazer o melhor, fazemos por elas. Por nós, impediríamos sempre que algo de mal ou algo errado lhes acontecesse. Mas rapidamente as crianças nos mostram com a sua honestidade tão típica que necessitam da sua autonomia e liberdade.

E de repente, percebemos, que se devidamente estimulados conseguem alcançar feitos que nunca imaginaríamos que conseguissem. Assim é com as tarefas domésticas.

Se há tema que gera controvérsia é precisamente esse, se as crianças devem ou não participar nas tarefas domésticas. Uns acreditam que não porque as crianças precisam de dedicar tempo a brincar e a explorar o mundo, outros dizem que sim pois estão a estimular a responsabilidade.

Para mim, a resposta é óbvia as crianças conseguem fazer as duas coisas, brincar e ajudar nas tarefas domésticas. Nalguns casos conseguimos inclusive, brincar a fazer tarefas domésticas. Por isso tal como na maioria das situações o segredo é bom senso e equilíbrio.

De repente as crianças não podem ser transformadas em “fadas do lar”, mas podem de forma gradual e de acordo com a sua faixa etária colaborar nas tarefas domésticas.

As tarefas não devem ser delegadas como forma de punição, mas sim como uma forma de a criança promover a autonomia.

Lembre-se que a segurança deve estar sempre em primeiro lugar, pelo que as tarefas mais complexas e que envolvam um maior risco devem ser  supervisionadas.

O foco nunca será no resultado nas sim no processo. A criança está a aprender pelo que necessita de reforços. Reconheça o esforço, a criança sentir-se-á importante e realizada. Não coloque pressão, nem queira perfeição.

Não receie, nem tenha medo do julgamento de familiares ou amigos, tenha em mente, que as tarefas domésticas, promovem o desenvolvimento da criança.

Está a ensinar-lhe habilidades fundamentais para a sua vida futura. A gestão diária, noções de limpeza, cozinhar, organização do espaço são competências importantes para o seu futuro pessoal, mas também profissional.

Por outro lado, a criança passa a dar valor ao trabalho. Reconhece que as tarefas domésticas implicam esforço e fica grata pelo que os seus pais fazem por ela.

Promove igualmente a sua autonomia e confiança. As crianças sentem-se confiantes e experimentam um sentimento de realização e de utilidade.

Aprendem a reconhecer a importância da capacidade de organização e de planeamento, competência transversal à sua vida futura.

Paralelamente a criança reconhece a importância do trabalho em equipa e da divisão de tarefas.

No fim, estimula a sua responsabilidade e a disciplina.

Deixo-lhe algumas dicas para sem transformar a criança numa “fada do lar” começar, gradualmente, a definir algumas tarefas domésticas:

  • Mostre à criança que o seu papel é importante e faz a diferença na gestão do lar.
  • Em família, elabore um quadro com as responsabilidades de cada elemento por dia de semana. Permita que a criança escolha as tarefas que mais gosta de fazer.
  • Defina horários para a realização de tarefas domésticas, de forma a criar uma rotina.
  • Elogie o desempenho da criança e mostre a utilidade das tarefas domésticas que a criança fez para o bem-estar da família. Faça com que a criança fique confiante e motivada.
  • Demonstre a sua satisfação com a ajuda da criança, fazendo com que ela se sinta importante e realizada.

Vamos a isso?

P.S: Não esqueça que todos têm de ser exemplo!

Por Vera Melo, psicóloga clínica