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Uma equipa de investigadores avaliou a forma como o temperamento infantil molda o indivíduo em adulto, tendo descoberto que a inibição na infância prevê uma personalidade introvertida e reservada nos jovens adultos de 20 anos. O estudo, publicado na revista Proceedings da National Academy of Sciences, fornece indícios substanciais do impacto do temperamento infantil no comportamento adulto.

“Embora muitos estudos associem o comportamento da primeira infância ao risco de psicopatologia, as descobertas que fizemos na nossa pesquisa são únicas”, afirma Daniel Pine, autor do estudo e responsável do departamento de desenvolvimento e neurociência afectiva do Instituto Nacional de Saúde Mental norte-americano. “Tal fica a dever-se ao facto de o nosso estudo ter avaliado o temperamento em crianças muito novas, vinculando-o a resultados que ocorreram 20 anos depois, por meio de diferenças individuais nos processos neurais”, acrescenta.

O temperamento refere-se a diferenças individuais com base biológica na maneira como as pessoas a nível emocional e comportamental respondem ao mundo. Durante a infância, o temperamento serve de base para a personalidade adulta. Um tipo específico de temperamento, chamado inibição comportamental, é caracterizado por comportamentos cautelosos, receosos e no qual se evitam pessoas, objectos e situações desconhecidas.

Neste estudo verificou-se que as crianças com maior inibição comportamental na primeira infância correm um risco maior de desenvolver distúrbios de abstinência social e ansiedade na vida adulta.

Até ao momento, apenas outros dois estudos tinham acompanhado crianças com inibição comportamental até à vida adulta. No entanto, o actual estudo do Instituto Nacional de Saúde Mental diferencia-se dos anteriores por ter incluído uma medida neurofisiológica para tentar identificar diferenças individuais no risco de psicopatologia posterior.

Este estudo destaca a natureza duradoura do temperamento precoce nos resultados de adultos e sugere que marcadores neurofisiológicos, como a negatividade relacionada a erros, podem ajudar a identificar indivíduos com maior risco de desenvolver psicopatologia na idade adulta. “Estudámos a biologia da inibição comportamental ao longo do tempo e é claro que esta tem um efeito profundo que influencia o resultado do desenvolvimento”, concluiu a equipa de investigação.