mentatdgt / Pexels

A leitura deve ser encarada como um acto de prazer, estimulado desde tenra idade por pais, educadores, professores e meios de comunicação, levando as crianças à aquisição espontânea e satisfatória do acto de ler. Este gosto deve ser instigado com naturalidade, para que a criança não entenda a leitura como uma obrigação, mas antes como uma satisfação.

O hábito de ler em casa é muito importante, uma vez que ajuda as crianças a desenvolverem o gosto pela leitura. E o comportamento dos pais influencia, e muito, os filhos. Sendo assim, mostrar que a leitura não é uma obrigação e, sim, um prazer contribui para o crescimento pessoal e o futuro profissional dos filhos.

A leitura precisa tornar-se um hábito e, para isso, é necessário que faça parte da rotina da família. Ler livros desde bebé ao seu filho é um óptimo início, que depois continua com livros de histórias mais densas, com uma leitura partilhada a dois, e, posteriormente, depois de aprender a ler, se tornar um hábito de prazer para os mais pequenos.

Mesmo antes de aprender a ler se conquista o gosto pela descoberta dos livros. Ouvir histórias, ver livros brilhantemente ilustrados que captam a atenção das crianças, com imagens de situações ou objectos do seu interesse, com livros pop-up que “crescem” ao serem folheados. É desde a primeira infância que o contacto com os livros se deve proporcionar.

Ler não é um “castigo” Mas ler, para muitos alunos, sobretudo a partir do 2.º ciclo, parece ser um “castigo” cada vez mais frequente de encontrar. As “desculpas” são mais que muitas e os miúdos aparentam ter pouca paciência para livros em que as letras são estáticas, as imagens, quando as há, não mexem. O confronto com a realidade do ecrã, sobretudo táctil, é tremenda! Os livros parecem pouco motivadores, quando comparados com os vídeos ou animações que facilmente se encontram disponíveis online.

Para a aprendizagem da leitura se desenvolver de forma eficaz, é importante a existência de obras adequadas aos níveis de aprendizagem, nomeadamente no âmbito do vocabulário, temática, estruturas frásicas, extensão, ilustração e outros pontos de interesse. Abordar a leitura para uma criança de seis é diferente do que para uma criança de 12, envolve tipos de leitura diferente, com manchas gráficas diferentes e também conteúdos diferentes.

Para cativar as crianças, iniciantes leitores, os primeiros livros devem ter pouco texto e muitas imagens, e, dessa altura até à adolescência, registar-se-á uma evolução significativa até ao desaparecimento das imagens.

A relação entre uma criança e um livro é muito diferente quando se trata de ter um adulto por perto. No início do processo da aprendizagem da leitura, o adulto pode servir de comentador ou então de intermediário afectivo, no caso das crianças mais pequenas. É natural que estas não se interessem espontaneamente pelos livros, mas, com a motivação por parte de alguém, o seu interesse modifica-se e ficam encantadas quando se lhes mostra as ilustrações, ou até mesmo cativadas por lhes ler a história.

Mesmo que a criança (dependendo da idade) não perceba, nem capte o sentido integral da história, pelo menos vai ser criado um ambiente afectivo, que uma leitura solitária nunca poderá proporcionar, pois todos sabemos que ler acompanhado, ou sozinho, são práticas completamente diferentes.

Neste cativar pelo exemplo, pela modelação, pela criação de hábitos, pelo mostrar encanto pelo livro e pelo que ele nos traz, dever-se-á explicar às crianças a razão pela qual estas deverão aprender a ler, mostrando que a aprendizagem desta competência torná-las-á “autónomas, capazes de pensar, de reflectir e decidir, e de sentir prazer nas actividades de leitura”.

Contudo, é frequente as crianças não compreenderem esta explicação, por se apresentar como uma definição um tanto abstracta. Nesse sentido, é importante que, mais do que assinalar as razões que devem levar as crianças a serem leitoras, deve-se efectivamente conceber e implementar estratégias de aproximação e de aprendizagem da leitura, de modo a que as crianças reconheçam as suas diversas utilidades e possam ir, progressivamente, construindo um projecto pessoal de leitor.

A leitura proporciona inúmeros benefícios, dos quais:

Facilita a escrita

Quem lê mais escreve melhor? Sim! O hábito facilita a aprendizagem da grafia correcta das palavras.

Diversifica o vocabulário

Pelos livros, descobrimos novas palavras e novos usos para as que já conhecemos.

Fortalece a memória

Ao ler, o cérebro cria caminhos para gravar aquilo que está a ser lido. Isto ajuda muito na recuperação da memória de curto prazo.

Estimula a criatividade

Ler é fundamental para soltar a imaginação. Criamos lugares, personagens, histórias, além de nos deixar mais curiosos e interessados em conhecer o mundo.

Mas não basta teorizar sobre a importância e os benefícios da leitura, é fundamental a existência de pais e profissionais capazes e competentes, que sintam eles próprios o prazer da leitura e possuam uma ampla visão literária, para assim obterem a sua própria concepção de leitura, repassando-a a futuros leitores.