É frequente os pais comentarem que todos os dias o bebé faz algo novo: fixa o olhar na mãe, leva o pé à boca pela primeira vez, etc. Todas estas acções estão incluídas no desenvolvimento da motricidade na criança. Mas o que é a motricidade? Trata-se do conjunto de características psicofísicas associadas à capacidade de movimento em qualquer ser humano.

A motricidade divide-se em grosseira e fina e, em traços gerais, a primeira relaciona-se com o controlo corporal (postura, equilíbrio), enquanto a motricidade fina assenta nos movimentos que exigem precisão, ou seja, coordenação olho-mão e capacidade para manipular objectos. São os grandes grupos musculares que orientam a motricidade grosseira para que executemos acções como manter o equilíbrio enquanto caminhamos, estamos sentados e subimos escadas. A motricidade grosseira exige a organização, planeamento e realização de movimentos.

Por sua vez, a motricidade fina é controlada pelos músculos pequenos do corpo, sobretudo das mãos e dedos, mas exige em igual medida a coordenação entre o corpo e o cérebro. Esta coordenação óculo-manual é crucial para desempenharmos movimentos precisos como escrever, pintar, lavar os dentes, vestir e despir. O desenvolvimento da motricidade fina está, por isso, dependente da maturação do sistema nervoso e do desenvolvimento psicomotor do ser humano, assim como do ambiente que nos rodeia.

Interacção com o ambiente

Com o nascimento da criança, inicia-se o processo de maturação da competência fina, constatado em acções como o alcançar e agarrar objectos, que vai evoluindo à medida que a motricidade grosseira se desenvolve. Os dois tipos de motricidade estão intimamente ligados e evoluem em simultâneo.

Esta evolução é crucial para o desenvolvimento das crianças, até porque nos primeiros anos de vida a maior parte da informação assimilada pelas crianças é obtida através de experiências que o corpo vivencia. Esta descoberta resulta do desenvolvimento das suas capacidades emocionais, sociais, motoras e cognitivas.

A motricidade fina adquire especial relevância quando a criança inicia a educação pré-escolar, onde é possível ver se desempenha correctamente determinadas actividades, como o abotoar e desabotoar botões, e a forma como pega nos lápis e canetas. Como já referimos, ambas as motricidades estão ligadas e, caso uma delas não esteja a desenvolver-se correctamente, tal pode resultar numa diminuição do desempenho ocupacional (actividades diárias) da criança e, consequentemente, na aprendizagem. Por outras palavras, se a criança não apresentar um bom controlo corporal (motricidade grosseira), todas as tarefas mais precisas, que exigem um bom domínio da motricidade fina, vão ser afectadas.

Actividades para estimular a motricidade

Por todas estas razões, é importante impulsionar a prática de actividades que permitam desenvolver e treinar as motricidades grosseira e fina para a criança aprender a controlar melhor o seu corpo e, em simultâneo, aumentar a sua autonomia e confiança em si própria.

Estas actividades servem para estimular a preensão e a integração visuomotora (capacidade para sincronizar informações visuais com o movimento físico), assim como promovem o desenvolvimento de funções cognitivas, como a memória e a atenção. São recomendáveis actividades que trabalhem os músculos mais pequenos e a coordenação olho-mão. Uma vez que a criança vai compreender e assimilar o meio que a rodeia através das interacções que fará com este último, é essencial que a criança viva bem no seu corpo, demonstrando um controlo correcto dos grandes e pequenos músculos, assim como uma boa coordenação olho-mão e destreza nas tarefas mais precisas.

São exactamente essas capacidades que vão permitir-lhe crescer e desenvolver mais competências, mas sobretudo vão dar-lhe a conhecer e a experienciar o mundo onde vivemos.